18/02/2008

Sobre Coisas Sublimes


Ninguém perguntou pelos seus sonhos de liberdade e grandeza.
Ninguém perguntou como colher do seu rosto singelo um sorriso afável.
Ninguém apareceu quando sua voz desesperada ecoava pela terra.
Ninguém apareceu para lhe fazer companhia quando seus olhos miravam o infinito finito de sua existencialidade inexplicável.
Quão sublime é aquele infante! Quão misterioso é ele! Quão diferente é a sua forma de se expressar! Quão elevado é o seu mundo!
O que o faz tão sublime, misterioso, singular e elevado? A essência do seu próprio ser! Mas em que consiste essa essência? A essência consiste no que ele é: um infante.
O infante estendeu o braço e com o dedo indicador apontou em direção à grande Montanha. Ele não pronunciou sequer uma palavra. Dele não se ouviu o som de uma única letra. Mas as palavras que se faziam ouvir silenciosamente através de sua presença eram tão poderosas que, mesmo os mais eloqüentes temeram por se verem incapazes de pronunciar algo semelhante. A maioria das pessoas se sentiram tão ameaçadas, que logo se viram embebidas num desejo infame de destruição e morte àquele que, de tão reverente, despertou uma irreverência tamanha que jamais existira na ínfima atmosfera que envolvia o mundo daqueles seres abjetos.

Oh infante
Que despertas nos corações
Sonhos adormecidos
Desejos moribundos
Forças há muito esquecidas

Que provocas um terremoto
E faz a terra do humano tremer
E a desloca de sua órbita
E provoca o caos!

Oh ser tão reverente
Que por tão reverente ser
Provoca irreverência
Provoca o caos!

Oh ser tão inteligente
Que ensina do caos
A verdade renascer
A beleza alcançar
E ao lugar alto retornar.

Kelly Abrantes

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