Na palma das minhas mãos
Teu corpo tão pequeno a descansar
Com calma dormindo
Sem ter pressa de acordar
Momentos tão simples, tão lindos
Que não me esquecerei jamais
Hoje as mesmas mãos te procuram
Mas não lhe encontram mais
Eu lhe tive, na palma das minhas mãos te segurei
Mas o tempo passou qual correnteza de um rio
Ou como as lágrimas que na minha face correm sem parar
Como elas correu o tempo
Que não te deixou ficar
Eu lembro dos teus olhos tão brilhantes
Cintilantes, tão fitos a me olhar
Tão vivos, que sem dizer palavra alguma
Eram capazes de falar
E dizer os teus desejos
Que quase sempre ficavam por realizar
Eu sei que teu corpo pequeno
Para lugares longínquos já foi
E algumas vezes longas distâncias percorreu
Eu sei que você já brincou muito, se divertiu, correu
Passou por alguns apertos
Não teve o melhor da vida
Mas sobreviveu
O tempo que passa e nos leva sempre com ele
Passou mais rápido para ti nos últimos dias
E as cortinas dos teus olhos ele fechou
E trôpegos, os teus passos ele tornou
Tua respiração e as batidas do teu coração
Já não mais se encontravam no compasso
Da música da juventude
Tua vida foi se desafinando
E com ela tua saúde
Foi triste te ver tentando me ver
Por entre as cortinas cinzas e brancas do teu olhar
E com dificuldade se movendo
Com passos cambaleantes tentando até mim chegar
Hoje o dia amanheceu
Mas se esqueceu de te trazer com ele
Hoje eu não te tenho mais
Resta-me agora apenas tua falta
Que eu sentirei demais
Ao chegar e não te ter para me receber
Ao ir e não te ter para me esperar
De jamais poder te ver outra vez quando eu chegar
Agora os céus choram
Sobre tua cova uma chuva fina
E o peso da terra que está sobre teu corpo ínfimo
Comprime também meu coração
O fazendo chorar lágrimas de saudade
Que assim como a chuva
Molham o teu chão
Tua nova morada - fria e solitária
De todos os sentimentos
Resta-me a saudade
De todas as palavras
Resta-me apenas o “adeus”
Kelly Abrantes
Um comentário:
sin palavras !!!
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