07/05/2010

Passando


Lá vem ela com seu caderno nas mãos
Tão triste
Quase sempre chorando
Ela vem e passa
Ela nunca pode ficar

Lá vem ela querendo sorrir
Mas as lágrimas nos olhos
Não deixam ela dormir
Quando seus olhos brilham, eu não vejo

Cabisbaixa, ela não recebe meu beijo

Lá vem ela tão só

Tão bem acompanhada
Sempre falante
Ela conta seus segredos
Eu não entendo seu idioma

Lá vem ela óbvia demais pra ser verdade
Pouco oculta para ser segredo

Ela mostra suas cicatrizes
Mas ninguém acredita
Há algo oculto em sem olhar

Lá vem ela com segundas intenções

Com seu sorriso encantador
Quem é capaz de resisti-la?
Sua doce voz nos convida
E inocentes, a seguimos

Lá vem ela em sua plenitude
Irreconhecível ela está
Ela se transformou e nem percebemos
Ou será que não quisemos notar?
Quem é ela agora?

Lá vem ela carregando as malas
Tão cansada

Ela pensa em parar
Mas isto ela não pode fazer
Ela vive em passar

Lá vem ela despedaçada
Dolorida demais
Juntando os cacos pra colar
Ela é que nem quebra cabeças
Que eu nunca consigo montar

Lá vem ela cheia de determinação

Dor no coração
Espada e escudo nas mãos
Pronta a atacar
Acho que ela veio me matar

Lá vem ela perfeita demais em seu mundo imaginário

Mundo que é só dela e de ninguém mais
Tão egoísta ela é
Lá vem ela sorrindo feliz ao morrer
Queimada nas chamas do seu próprio orgulho.


Kelly Abrantes

Um comentário:

Unknown disse...

KELLY ABRANTES !! Tu sei la mia autrice di poesie poetessa preferita !!