Tão triste e só

Solitário, assentado
Balançando sem parar
Com pensamentos vagueando
Parado no tempo que insiste em passar
Criatura bela
De alma nobre e encantada
Tem sua alma na tela
Em tons de cinza, estampada
Na mão uma flor
No coração uma dor
E nos olhos um pesar
Na voz um canto triste
Com sua mente a delirar
Seria o delírio verdade
Ou realidade a ilusão?
Sem respostas concretas
Segue rumo à solidão
Peregrino por natureza
Sem rumo ou lugar
Apenas caminha incerto
Sem saber aonde chegar
No chão rabiscos feitos com gravetos
No horizonte uma dúvida no ar:
O que vês por trás dos teus óculos
Que fazem teus olhos chorar?
O que tanto ouves
Para quase sempre teus ouvidos tapar?
E por que emudecido
Te recusas a falar?
Nos pés um andar sorrateiro
Que sutilmente ruma ao desfiladeiro
Onde cabe apenas teu corpo doído
Ávido por encontrar
Um pouco mais de espaço
Pra teu projeto executar
A construção de um labirinto
E nos desencontros assimétricos dos seus corredores
As tuas partes perdidas encontrar
E não obstante a todas colar
Sabes com todo teu ser
Que ao teu passado interrompido
Jamais poderás se reconectar
Kelly Abrantes
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