Eu quero voltar
Mas não há para onde
Me perdi na estrada
Tento voltar ao meu passado
Mas a porta está fechada
Até sei abri-la com uma combinação de letras
E uma canção encantada
Ainda receio que minha alma não esteja preparada
Por enquanto
Enquanto ainda arrumo minha munição
Cujo poder bélico se equipara ao de um canhão
Cuja sutileza é mais leve
Que bolha de sabão
Dentro em breve os portais
Diante de mim se abrirão
A porta que agora está fechada
Se abrirá ao som do trovão
Da minha voz tão meiga
Que fará teu coração
Derreter feito manteiga
Quando eu começar a falar
Na solidão do teu quarto
E do outro lado das montanhas
Você escutar
Minha voz que há tempos não ouves
Nos teus ouvidos sussurrar
"Ahavá"
Te transportarei para o alto da montanha
Te farei recordar
Do passado que quisestes anular
Que agora eu faço questão de lembrar
Promessa pode até não ser dívida
Mas eu faço questão de cobrar
Não te soltarei da minha teia
Enquanto você não me pagar
Eu já estou voltando
Já sei bem para aonde
Encontrei a estrada
Estou no futuro
Com a porta escancarada
Aberta por palavras
Que só eu sei dizer
Posso até te emprestá-las
Mas você não saberá ler
Se eu fechar a porta
Você não poderá sair
Então vamos fazer um trato
Aí te deixarei partir
Você me paga o que me deve
E eu abro a porta
Você poderá ir
E até fingir que não me conhece
Se por acaso um dia me vir
Kelly Abrantes
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