
Eu só queria conversar com aquela “velha senhora”
Eu só queria entender melhor a sua história
Me parece um pouco estranha a sua trajetória
Não faz muito tempo que ela fez vinte anos
Mas quem a ouve pensa que ela tem oitenta anos
Rugas ela não tem, cabelo branco muito menos
Ela é uma “velha senhora” em seus sofrimentos
Me digam o que há de errado com ela
Faz muitos anos que a vida passa
E ela só olha da janela
Seu corpo está cansado, seu olhar marejado
Em seu pulmão um suspiro carregado
Do seu sofrimento ela me falou:
“Não marcou o corpo, mas a alma despedaçou
Uma alma feita em cacos, quem poderá colar?
Um coração rasgado, quem pode costurar?
Com tanta dor, quem consegue sonhar?
É ferida sem remédio, é problema sem solução
É tormento contínuo, cujos que não sentem jamais entenderão
É um passado perdido por um presente de mau gosto
É um futuro incerto sem um sorriso no rosto
Muitos meneiam a cabeça
Dizendo entender sem hesitar
Mas verdade é que entender
Não significa experimentar”
Kelly Abrantes
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