18/02/2008

Sobre a Percepção


O dia amanheceu como todos os outros, mas por ele ser diferente, várias coisas já não eram mais iguais. Os passos trôpegos pelas ruas denuncia que o sangue que corre nas veias não é como o da maioria. Mas isso não importa, pois a maioria não é capaz de enxergar tão minuciosamente como os seus olhos enxergam. E quem não vê muito, tem pouco a pensar. E quem pouco pensa é facilmente dominado. Entretanto, livre ou escravo, todos possuem um mundo no qual pode reinar soberanamente. Oh! Quantos universos existem em um só Universo.
De longe se pode perceber que o errante vem se aproximando, e ele é percebido porque na realidade ninguém o nota, por ele ser quase invisível sua presença é notória. As pessoas que passam perto dele estão tão perdidas no seu próprio mundo que se esquecem de pensar que o que mais procura está, muitas vezes, em outro universo. Elas contemplam em algum momento este lugar, mas se recusam a aceita-lo como lugar, pois para elas o lugar certo está em um lugar ainda inexistente. O errante segue seu caminho. As pessoas seguem seus caminhos.


Oh diferença tão igual
Igualdade tão diferente,
A diversidade é o teu caminho
A sensibilidade tua chave
E o pensamento a porta que podes abrir!

Então serás capaz de ver que os teus olhos te traem
E que te faz ver a sensibilidade –
Tão escandalosamente simples,
De maneira tão assombrosa
Que a rejeitas com inteireza de ser
E assim o teu ser
Se torna tão complicado

Mas a tua complicação
É a simplicidade da tua complexidade
Tão simples é que quantos quiserem
Podem percebê-la.


Cada um seguiu o seu rumo em busca de um nada tão denso que se pôde ouvir uma voz petulante a ecoar pelos caminhos dizendo: “Do teu erro nasce o certo que dá vida àquilo que começas por não ser capaz de terminar. Tolo és!”.
Aquele que está atento às coisas percebe que a existência que contemplou só existiu porque desistiu de existir só. Quando não se percebe isto, nada existe.
Kelly Abrantes

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