07/05/2010

Indiferenças



Muitas coisas há ante as quais me calo
Não por falta de argumento
Pois os tenho em abundância


Por que me calo não sei bem
Talvez o silêncio me arrebate a voz
Porque não valha a pena falar
O que milhares de vezes já foi dito e repetido
Sem efeito algum surtir
Talvez as pessoas não mereçam ouvir

Palavras belas e meticulosamente escolhidas
Argumentos mui bem articulados
Discurso magnífico
Todos em pé aplaudem
Mas são palavras ao ar
Levadas pelo vento do esquecimento

Pouco tempo se passou
E quem delas se lembra?
E os que as recordam fizeram algo?
Elas se tornaram lembranças românticas
E símbolos de impotência
Quiçá raiz de indiferença

Palavras apenas ouvidas domesticam o poder.

Muitas coisas há ante as quais me revolto
Não por motivo ou causa aparente
Pois estes me faltam
Por que me revolto não sei bem
Talvez este sentimento que se mistura ao meu sangue
Seja testemunha d’alguma injustiça
Que ninguém foi capaz de notar
E só ele foi capaz de perceber
E se cansou de esconder no silêncio

Barulho ribombático no ar
Estilhaços por todos os lados
Mundos feitos em pedaços
As pessoas estão estarrecidas
É apenas minha raiva querendo se acalmar
E se livrar das coisas que a tornam doentia

Muito tempo se passou
E todos insistem em recordar
E comentando fazem julgamentos
A punição que receberam
Se lhes tornou em ferida aberta na carne
Lembrança permanente de seus delitos dissimulados

Cenas freqüentemente repetidas acendem a ira.


Kelly Abrantes


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